Os problemas na coleta de resíduos sólidos nas cidades brasileiras envolvem falhas operacionais, como horários irregulares, ausência de coleta e resíduos espalhados pelas vias, além da cobertura deficiente em áreas periféricas. Como resultado dessa má gestão, surgem diversos riscos à saúde pública, como a proliferação de vetores, a contaminação do solo e da água pelo chorume e a ocorrência de enchentes, agravadas pela baixa taxa de reciclagem e pelo descarte incorreto de resíduos que acabam chegando aos rios e ao mar.
O recolhimento ineficiente do lixo doméstico, que não atende toda a população, leva ao descarte irregular em encostas, rios e áreas abertas, causando assoreamento e contaminação ambiental. Os resíduos acumulados atraem ratos, mosquitos e baratas, favorecendo a transmissão de doenças como dengue e leptospirose. O chorume, líquido altamente tóxico, contamina o solo e os lençóis freáticos.
A ausência ou deficiência de projetos de educação ambiental resulta em baixa adesão à coleta seletiva e no acondicionamento inadequado dos resíduos — como o descarte incorreto de vidro quebrado —, colocando em risco os trabalhadores da coleta. Além disso, metais pesados, como mercúrio e cádmio, presentes em pilhas e baterias, são frequentemente descartados no lixo comum, causando sérios impactos ambientais.
Em Ilhabela, é comum observar resíduos espalhados em grande parte das ruas, bem como a mistura de materiais recicláveis com resíduos úmidos durante a coleta. A falta de regularidade na coleta de recicláveis também representa um problema significativo. Somada à pouca divulgação dos dias e horários de coleta, essa situação faz com que os resíduos recicláveis sejam colocados nas ruas com muita antecedência, ficando expostos à ação de animais e das chuvas, que acabam espalhando o material.
A gestão de resíduos sólidos urbanos é considerada crítica e exige elevados investimentos em infraestrutura e logística de coleta. Em Ilhabela, os custos com coleta, transporte e destinação dos resíduos vêm aumentando de forma expressiva, sem que isso resulte em melhorias perceptíveis nos serviços prestados à população. Em 2022, foram gastos R$ 23 milhões; em 2023, R$ 25 milhões; em 2024, R$ 29 milhões; e, em 2025, R$ 34 milhões — um aumento de quase 50% nos últimos quatro anos.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Ilhabela (SMMA) está revisando o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS), documento estratégico obrigatório, exigido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), que estabelece diretrizes para a coleta, o tratamento e a destinação final ambientalmente adequada dos resíduos. O plano deverá passar por audiência pública antes de sua aprovação.
A gestão dos resíduos sólidos deveria estar vinculada à SMMA, uma vez que integra a política de saneamento ambiental. No entanto, de forma equivocada, essa responsabilidade está atualmente atribuída à Secretaria de Serviços Urbanos, que não dispõe de corpo técnico especializado para garantir uma gestão eficiente.
